Suicídio não tem graca, depressão não é piada

Aqui em casa meu filho vai aprender que:

– chinelo serve para calçar;

– cinta serve para segurar as calças;

– a palma da minha mão serve para várias coisas, mas agredi-lo não é uma delas.
Meu filho vai aprender que, não importa o momento da vida que ele esteja passando, ele sempre vai encontrar em mim e no pai dele ouvidos atentos aos seus problemas. Que ele sempre pode contar conosco. Que a colaboração nos afazeres da casa é tarefa de todos que vivem nela, mas que aqui não achamos que depressão e ansiedade são falta de “ter a pia” cheia de louça pra lavar. 
Vocês que estão fazendo piada e compartilhando o “desafio da preguiça azul” ou “desafio da havaiana azul”, insinuando que adolescentes capazes de se automutilar e até se suicidar são desocupados e merecem apanhar, apenas se perguntem se é a vocês que seus filhos recorrerão num momento de dificuldade. Apenas imaginem se, menosprezando os adolescentes e seus conflitos psicológicos (e eventuais transtornos), vocês serão o porto seguro deles. Ou se eles irão buscar apoio em outros adolescentes ainda mais desorientados. Se você acha que esses adolescentes estão só querendo atenção, ué, e quem no mundo não está? Quem não precisa de atenção, amor e cuidado? De onde vem essa ideia deturpada de que, quando alguém pede atenção, devemos virar as costas ou reagir com violência?
Como diz a minha mãe, filho não se perde na rua, mas sim dentro de casa. Perde-se na falta de diálogo, de atenção, de cuidado.
Em vez de ficar compartilhando piada sem graça ou alertando sobre o perigo de as crianças aceitarem balas de estranhos (a grande novidade de 1985), olhemos com atenção para os nossos filhos, para as crianças e jovens do nosso convívio. Sejamos seus confidentes, ofereçamos apoio livre de julgamentos, façamos que saibam que não estão sozinhos. 
A quem precisar de alguém que lhe ouça: EU ESTOU AQUI.
(Esse texto foi originalmente publicado por Oksana Guerra em seu perfil pessoal no Facebook em 19/04/2017, bem como na página Mama Neném em 20/04/2017)

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10 meses

Dez meses de você na nossa vida, meu amor! Dá pra acreditar? Quanta alegria, quanto amor, quanto aprendizado! Quanto tenho crescido com – e por – você!
A cada dia tenho abraçado essa oportunidade incrível de me educar para ser uma mãe melhor. Você me ensina muito, filho. 
Continua aventureiro, descobrindo novas possibilidades a cada segundo. As pessoas me perguntam se eu não trabalho, e o engraçado é que eu nunca antes trabalhei tanto na vida! O trabalho de cuidar de você não me permite distrações, não tem pausa para o cafezinho, horário de almoço, não tenho nem a chance de ir ao banheiro sem plateia! Eu amo cada segundo ao seu lado, mas isso não quer dizer que seja moleza. Seu papai de vez em quando tem uma palhinha: no final de semana, quando divide comigo a função de cuidar de você o dia todo, ele percebe o quanto sua energia é infinita.
As coisas não estão ficando mais fáceis agora que você está arriscando seus passinhos sem apoio. Mas não estou reclamando, não. Cada conquista sua é uma alegria enorme. 
Cada vez que você faz uma coisinha fofa eu me derreto, como repetir o som de uma palavra que eu disse, fechar a torneira quando eu peço, envolver meu pescoço entre os braços quando eu peço um abracinho. Quando esmaga a gata e faz carinho nos amiguinhos, quando abre um sorriso enorme e dispara em direção à porta ao ouvir o papai chegar. Quando toca os instrumentos musicais em casa ou na aulinha de musicalização. Quando mergulha e faz festa na piscina. Quando faz questão de dividir comigo seu alimento. Quando arranja qualquer fio disponível para chacoalhar diante da Sam para brincar com ela. Quando canta junto comigo as musiquinhas de que mais gosta. Quando explora o funcionamento das coisas. Quando continua encontrando em meu seio o alimento, o aconchego e a segurança de que precisa. 
É claro que nem só de coisas fofas é que se vive: não está fácil lidar com você rasgando e comendo meus livros, se enfiando em cantinhos inapropriados dos quais muitas vezes não consegue sair, usando o movimento de pinça para catar qualquer porcaria do chão para comer, escalando a estante e outros móveis, alcançando objetos colocados em cima da mesa para você não pegar, tirando a fralda e fugindo pelado para fazer xixi no chão do quarto, quase arrancando meu nariz se eu não fizer logo “BI-BI” quando você o aperta (brincadeira ótima que eu fui inventar), me mordendo com seus sete dentes já bem crescidinhos.
Mas, sim, tudo vale a pena! A gente vê o chão da sala coberto de brinquedos e livros espalhados, e não troca essa bagunça por nada! 
Nesse mesversário a mamãe não conseguiu fazer um bolinho baby friendly porque passamos o dia todo fora. E foi uma delícia celebrar seu décimo mês na companhia dos seus amiguinhos e de pessoas que amamos. Mas a nossa festinha em família nunca falta. Amamos você mais do que tudo, filhote! 

(Esse texto foi originalmente publicado por Oksana Guerra em seu perfil pessoal no Facebook em 21/03/2017)