De volta à Residência Belotti

Já falei sobre a Residência Belotti aqui há quase um ano, quando a restauração da casa tinha acabado de ser concluída, e ela estava aberta à visitação por tempo limitado. Depois de um tempo, foi inaugurada como espaço de arte e design, bistrô e estúdio coletivo.

 

Como eu contei no texto anterior, a Residência Belotti, construída em 1953 para o casal Medoro e Nine Belotti,  foi uma das primeiras da corrente modernista em Curitiba, projetada pelo genial arquiteto Lolo Cornelsen.  A casa passou quase 10 anos abandonada, até ser inteiramente restaurada. 

Ano passado, marido e eu fomos almoçar lá num sábado. A comida estava ok, o atendimento foi bem fraco e achamos que o peço não compensou, apesar do lugar ser incrível. Na ocasião, lamentei o fato, imaginando que o bistrô não iria muito longe, e era um desperdício um espaço tão especial da cidade estar sendo mal aproveitado.

Hoje estava passando em frente, ainda sem saber onde almoçar, e resolvi entrar. Foi uma ótima ideia! Descobri que o bistrô está sob nova administração há cerca de um mês. O almoço, que custa R$ 23,90, conta com uma entrada, um grelhado e dois acompanhamentos, à escolha do freguês. As opções de hoje eram: para a entrada, salada de folhas verdes com maracujá e lascas de queijo ou salada de grãos com crostini (escolhi essa); entre os grelhados, entrecôte, tilápia (minha escolha) e frango; e para os acompanhamentos, arroz branco ou cateto com legumes, confit de berinjela e pimentões, rondeli de tomate seco e mousse de batata roxa.

  Há mesas no quintal dos fundos ou no jardim da frente, e ambos os espaços são lindos. A comida estava boa e atendimento foi bem simpático.  

Além disso, sempre está rolando uma exposição de arte, há uma loja de produtos descolados e a casa, por si só, já vale a visita. Programinha imperdível para curitibanos e curitilovers em geral.

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What about Breakfast at Tiffany’s?

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Um dia desses, conversando com uma amiga de longa data, percebi que, de uma amizade intensa que vivemos no passado, restaram muito poucos pontos em comum. Conforme amadurecemos, definimos com mais propriedade as ideias em que acreditamos e estabelecemos com mais convicção nossos princípios. E nesse processo, fomos parar em pontos bem distantes um do outro.

Antigamente era fácil ter tudo em comum com alguém. Já tínhamos, claro, alguns princípios filosóficos, sociais e políticos que nos interessavam e, quiçá, guiavam nossas atitudes. Mas não tínhamos muita certeza de nada, e nem apresentávamos pontos de vista referente a eles com muita frequência. Outros interesses urgiam e se sobrepunham aos demais: festas, namoros, o início de nossa vida profissional, os estudos, planos para o futuro.

Hoje, além de já termos mais consciência de quem somos, ainda contamos com um agravante: o Facebook. Numa mesa de bar, jamais teríamos a oportunidade de expor tanto sobre nossas crenças pessoais como fazemos na rede social. Ninguém cogitaria levar uma revista para o boteco para mostrar aos amigos dizendo: “gente, leiam esse artigo aqui, eu curti”, só para dar um exemplo. Não é raro eu sofrer de profundo desapontamento ao ver na rede os pensamentos dos quais compartilham meus amigos, e tenho certeza de que muitos deles sentem o mesmo em relação a mim.

É evidente, porém, que o fato de pensarmos diferente não impede que sejamos amigos. Aliás, é enriquecedor relacionar-se com distintas pessoas, conviver com variadas formas de pensamentos, conhecer diversas crenças, gostos e ideias.

Mas de vez em quando olho para alguém e me pergunto: o que foi que sobrou? Temos ainda algum alicerce no qual se sustente nossa amizade, por mais superficial que ela tenha se tornado?

Sempre temos alguma coisa em comum com alguém. O gosto musical. Aquela série de TV. O ódio por pessoas que palitam os dentes. O sarcasmo. O apreço pelo linguajar culto. O amor por gatos. O interesse por determinado assunto. Algum posicionamento político. O humor. A crença espiritual. A cerveja. Paris. E existem ainda aquelas pessoas que nos atraem pelas diferenças, que, quando não agridem, somam. Quando conseguimos nos despir dos preconceitos, pode ser no mínimo elucidativo o convívio com alguém que vive de uma forma diferente da que acreditamos ser a correta.

É preciso sempre manter calibrada nossa balança, para verificar se o que sustenta um relacionamento ainda vale a pena. Quando a postura do outro é um insulto às suas mais preciosas convicções, talvez seja melhor se afastar.

Se não é esse o caso… O que você achou de Breakfast at Tifffany’s?