Sobre o processo criativo

Quando a gente se propõe a escrever com regularidade – seja por razões profissionais ou pessoais – não pode simplesmente contar com aquela inspiração sazonal, aquele momento em que a mente canaliza uma ideia vinda sabe-se lá de onde e que se converte em palavras fluindo através de nossos dedos. E aí, o que você faz quando seu prazo está chegando e você não tem ideia do que escrever?

Você pode, por exemplo, escrever um texto sobre o processo criativo.

Algumas dicas que já me serviram para vencer a paralisia diante da tela em branco:

  1. Começar pelo ambiente. Descrever o lugar em que estou, por exemplo. “O espaço da grande sala é dividido apenas pela disposição dos móveis. O piso claro e as três grandes janelas, que recortam a parede de um extremo ao outro, aumentam a sensação de amplitude. Um gato se espalha preguiçosamente sobre o topo do espaldar do sofá vermelho”. Pode ser um começo. É claro que, para isso virar ficção e, principalmente, uma ficção interessante, é necessário desenvolver um conflito, mas fazer isso a partir de um parágrafo qualquer pode ser mais fácil.
  2. Também a partir da observação do ambiente, contar a história de um objeto. Em meu conto Jota Peg, eu falo sobre um álbum de fotografias. Essa ideia surgiu porque, sobre minha mesa de trabalho, no meio da minha bagunça, está um álbum da minha tia, que eu peguei para digitalizar suas fotografias. IMG_1653.jpg
  3. Por falar em bagunça, algumas pessoas precisam de um ambiente perfeitamente organizado para se sentirem produtivas. Outras se viram melhor na bagunça. Eu sou mais do segundo grupo, gosto de ter livros, cadernos, objetos, referências, tudo ao meu redor. Mas quando a desorganização é demais, também me bloqueia. Então, no meio de uma crise de criatividade, se estiver tudo arrumadinho demais, bagunce. Se estiver bagunçado demais, arrume.
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    Bagunça no ponto
  4. Ouvir a música certa para criar o clima. Eu gosto muito de música instrumental para escrever. Mas cada tema exige a trilha sonora adequada. Ainda falando do Jota Peg, comecei ouvindo o álbum Symphonies Nos. 1 and 2 da Ukraine National Symphony Orchestra. Mas, conforme o tom da história foi se revelando, eu parti para playlists chamadas “Coração Partido”, “Alone Again” e “Bad Days”.

  5. E, claro, o bom e velho pânico de última hora!305346_246012265446820_210286542352726_647653_459745339_n

Gostou? Espero que possa ajudar. E você, tem alguma dica testada e aprovada para compartilhar? Conte para mim nos comentários!

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Sobre a obrigação de realizar todos os sonhos da sua vida ainda hoje

Não é novidade o processo histórico e as circunstâncias que moldaram as gerações conhecidas como dos veteranos, dos baby boomers, x, y, z e sopa de letrinhas. E a não ser que você tenha vivido entre os lobos ou isolado numa caverna nos últimos anos, certamente deve ter notado a proliferação da propaganda da felicidade.

Campanhas publicitárias, artigos, crônicas, livros de autoajuda, blogs e postagens simpáticas no Facebook ordenam o tempo todo: seja feliz! Largue seu emprego! Faça um ano sabático! Seja o que você quer ser! Realize seus sonhos! Não fique parado, você não é uma árvore! Vá à luta! Chute o balde! Não ligue para o que pensam! Nem para o que dizem! Seja você mesmo! Mas seja mais legal do que você é! E ninguém precisa dizer, porque você já entendeu: todos esses comandos trazem implícita a palavra AGORA.

Miscelânea de frase encorajadoras da internet (se você é dono de uma dessas imagens e não quer vê-la aqui, apenas solicite que eu a removerei)
Miscelânea de frase encorajadoras da internet (se você é dono de uma dessas imagens e não quer vê-la aqui, apenas solicite que eu a removerei)

E você fica aí, frustrado, sentindo que é a única pessoa medrosa que ainda não largou a sua jornada de 40 horas semanais para viver uma grande aventura de bicicleta pelo Nepal. Acreditando que a areia dentro da cruel ampulheta do seu tempo de vida está quase alcançando suas narinas e você não fez nada de incrível. Não escalou o Everest, não ganhou um prêmio Nobel, não virou astronauta, seu nome não está nem no Guiness. Você ainda quer ter filhos, preferencialmente morando perto da sua mãe. Adotar um bicho de estimação, ou vários. Morar em outro país. Dar a volta ao mundo. Praticar esportes radicais. Não só mudar de emprego, mas virar um nômade digital. Fazer exercícios físicos com mais assiduidade e se alimentar melhor. Mas também experimentar vinhos e cervejas importadas. Ter uma vida social ativa. Passar mais tempo com os amigos. E passar um período num Ashram na Índia, só meditando. Morar num vilarejo remoto no sul da França. E num apartamento bem localizado em Manhattan. E numa casinha de frente para o mar em Santorini. E tudo isso tem que ser pra já. O símbolo do tempo deixou de ser um relógio: é uma chibata.

Caso ou compro uma bicicleta?
Caso ou compro uma bicicleta?

A internet nos deu acesso a milhares de sonhos. E a propaganda nos diz que se ainda não os conquistamos a razão é uma só: somos medrosos. Na verdade é só uma adaptação do padrão do fracasso por sua culpa exclusiva. As gerações anteriores sempre tiveram esfregado nas suas faces o modelo do sucesso: ter um emprego estável, patrimônio amplo, garantir a segurança da família e desfrutar ao fim da vida de uma confortável aposentadoria. Muita gente não conseguiu isso, pelos motivos mais variados. Mas a explicação da propaganda era uma só: essas pessoas não se esforçaram o suficiente. Se fossem trabalhadoras de verdade teriam conseguido tudo.

Hoje os anseios são outros. A antigamente tão sonhada estabilidade no emprego foi substituída por uma “forma criativa de ganhar dinheiro fazendo o que você ama”. Você vai ouvir de muita gente que os bens materiais não significam nada: o que enriquece mesmo é a experiência. Mesmo que as pessoas que dizem isso sejam proprietárias de imóveis, automóveis e variados fundos de investimentos. E se você não está vivendo intensamente o seu sonho, sinto muito, a culpa é toda sua.

A cada dia, mais pessoas absolutamente livres para fazer o que bem entendem de suas vidas se sentem absolutamente tolhidas pela obrigação premente de ser, hoje mesmo, a materialização de todos os seus potenciais. A pressão para ser extraordinariamente feliz o tempo todo é uma das maiores causas de infelicidade.

Tenho a impressão de que houve uma pequena falha na transmutação dos anseios por estabilidade e conforto das gerações anteriores para os desejos de aventura e liberdade de hoje: a noção de tempo também precisa ser modificada. Antigamente as coisas tinham um momento certo para serem realizadas. Seguir o roteiro era uma questão de sobrevivência. Era preciso estudar, arranjar um emprego, casar, ter filhos, construir um patrimônio e se aposentar. Não havia muito espaço para digressões, a não ser que a pessoa tivesse nascido muito rica (o que continua fazendo diferença).

Atualmente, até mesmo a maternidade pode ser protelada. É claro que os riscos da gestação aumentam proporcionalmente à idade, mas já é quase um consenso que o processo tende a ser mais fácil quando a mulher já está num momento mais tranquilo de sua vida. Antigamente a menarca anunciava o início do ciclo reprodutivo que se encerraria com o esgotamento das condições da mulher de seguir engravidando e parindo. Hoje, fora o desejo da sua mãe e da sua sogra de serem avós, nada pode impedir uma mulher de esperar pelo momento em que se sentir preparada para dar esse passo.

Já se foi o tempo em que era preciso trabalhar até não aguentar mais porque sua produtividade acabava por volta dos 60 anos, quando uma pessoa não tinha mais o que oferecer à sociedade. A expectativa de vida é cada vez mais alta e os avanços da medicina asseguram que possamos chegar mais longe também com mais saúde e disposição. Muitas pessoas “idosas” são absolutamente ativas, produtivas, e mais: estão curtindo a vida!

O meu ponto não é simplesmente ir na contramão da propaganda e dizer: acomode-se! Agarre-se com unhas e dentes ao emprego que você odeia! Acumule bens materiais e prenda-se a eles! Esqueça seus sonhos! É evidente que não.

O que quero mesmo dizer é: não se desespere! O tempo não está contra você. Se alguns dos seus sonhos forem realizados só daqui a 20 ou 30 anos, não tem problema! A ansiedade por realizar todos eles ainda hoje, além de não ajudar em nada, impede que você desfrute suas conquistas e aproveite o presente. Não é feio celebrar uma promoção, mesmo que ainda não seja no trabalho dos seus sonhos. Enquanto sonha com a Times Square, não deixe de aproveitar as coisas incríveis que podem estar acontecendo agora mesmo na sua cidade. Seu apartamento pode não ter vista para a Torre Eiffel, mas isso não significa que ele não possa ser o lugar mais gostoso do mundo pra você.

E existe um pecado ainda mais grave do que não saber comemorar suas vitórias nem curtir o presente, que é deixar de valorizar as pessoas ao seu redor. Esse sim é o maior patrimônio que você pode construir na vida, e não vale a pena deixar de zelar pelos relacionamentos em razão de uma busca desenfreada pela satisfação de desejos que mudam de um dia para o outro. Quem viu o lindo longa de animação Up (um dos meus filmes preferidos) talvez se lembre de um símbolo pungente disso que a película mostrou.

O casal formado por Carl e Ellie Fredicksen, ainda na infância e ao longo da juventude, cultivava sonhos de aventuras incríveis numa terra distante e misteriosa, Paradise Falls. Ellie tinha um álbum de recortes e fotografias, chamado de “Adventure Book” (Livro de Aventuras), e os dois poupavam todo dinheiro que podiam para empreender a fantástica viagem de seus sonhos. Ao longo da vida, enfrentaram alguns infortúnios e tiveram necessidades urgentes que faziam a poupança retornar à estaca zero. Lá para o final – SPOILER ALERT: se você não viu (QUE VERGONHA!) e ainda pretende ver o filme, talvez deva pular o final desse parágrafo e também o próximo – o velho Carl acredita que a vida de Ellie terminou sem que ela tivesse preenchido a melhor parte do seu livro.

Isso foi só porque ele ainda não tinha virado a página (chega a ser linda de tão óbvia essa metáfora) para ver que ela tinha preenchido aquelas folhas com uma série de momentos importantes que eles viveram juntos. Sim, Ellie queria ser uma exploradora da vida selvagem em Paradise Falls. Mas enquanto sonhava, ela não deixou de aproveitar cada momento feliz e, especialmente, de valorizar o amor de quem esteve sempre ao seu lado. Essa foi sua grande aventura. Droga, já estou chorando, lembrar de Up sempre tem esse efeito em mim.

Até pouco tempo eu andava surtando com a pressão de realizar tantos dos meus sonhos, muitos deles aparentemente incompatíveis entre si, e tudo pra ontem. Já passei dos 30, e nos variados grupos sociais dos quais faço parte a pressão é a mesma, o que muda é o foco: para a família, já passei da hora de engravidar. Para o chefe, deveria estar captando clientes ou mostrando um nível mais elevado de compromisso profissional. Para algumas pessoas, eu devia vender minha casa e investir o dinheiro. Para outras, eu devia era comprar mais imóveis. Há quem pense que eu devia vender tudo e cair no mundo. Muita gente me vê como um talento desperdiçado, mas ninguém sabe me dizer quem quer me pagar para colocar em prática esse talento. Alguns acham que preciso me dedicar mais aos exercícios físicos. E há quem me assegure que nada disso realmente importa: preciso mesmo é cuidar das coisas do espírito. A pressão é tanta, que o mais fácil é… Simplesmente não fazer nada!

De repente comecei a me inspirar no exemplo de pessoas que estão fazendo grandes coisas em momentos da vida que muita gente duvidaria! Gente que muda de profissão aos 40. Que faz o Caminho de Santiago aos 50. Que dá a volta ao mundo de bicicleta com 4 filhos. Que dá aula de Yoga aos 96 anos de idade. Não sei você, mas eu pretendo viver muito ainda, e com bastante saúde! Então, fiz as pazes com o tempo. Depois que nos reconciliamos, ficou mais fácil administrar a ansiedade e curtir o dia de hoje.

Martin Glauer, de 30 anos, e a mulher Julie, de 40, deram a volta ao mundo de bicicleta, levando seus filhos Moses (5 anos), Caspar (4 anos), Turis (2 anos) e Herbie (9 meses).
Martin Glauer, de 30 anos, e a mulher Julie, de 40, deram a volta ao mundo de bicicleta, levando seus filhos Moses (5 anos), Caspar (4 anos), Turis (2 anos) e Herbie (9 meses).

Talvez (apenas talvez) eu não consiga realizar todos os meus sonhos. Mas saber que posso mudar de ideia a qualquer momento e vivenciar uma aventura diferente depois da outra me tranquiliza. A realização de um sonho não precisa ser um projeto definitivo. Então o melhor que posso fazer é aproveitar o momento e viver com intensidade tudo que posso desfrutar dele. De preferência ao lado das pessoas que fazem tudo isso valer a pena.

Tao Porchon-Lynch, aos 96 anos de idade.
Tao Porchon-Lynch, aos 96 anos de idade, considerada a professora de Yoga mais velha do mundo. ♥

Oksana Guerra

O que aprendi com 100 dias felizes

No dia 28 de fevereiro desse ano, comecei o desafio 100 dias felizes: todos os dias postar em alguma rede social uma foto de algo que me faz feliz. Estava num momento meio complicado, e não queria dar destaque às coisas ruins. Como escrevi na legenda da minha primeira foto (com a minha mãe, que fez aniversário naquele dia), minha motivação para o projeto, então, era dar mais valor aos momentos de alegria. Aqui está a lista de coisas que aprendi ao cumprir o desafio.

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1. Muitas das coisas boas que podem fazer você feliz já estão aí, você só precisa notá-las.

2. Ter a felicidade como objetivo pode ser a diferença entre mais um dia de tédio e um totalmente diferente.

3. Pessoas são sempre mais importantes que coisas.

4. Relaxar precisa ser uma prioridade na vida.

5. Ser feliz é mais simples do que parece.

6. As pessoas tendem a querer participar dos seus dias felizes, o que não acontece muito nos seus dias tristes.

7. Sua felicidade contagia muito mais gente do que você pode imaginar.

8. Comida e felicidade são coisas que andam juntas.

9. Surpreendentemente, atividades físicas realmente podem deixar você feliz.

10. Muitas vezes, a felicidade consiste em participar de momentos felizes de outras pessoas.

11. Estender a mão a quem precisa enche o coração de alegria.

12. A gratidão é um combustível da felicidade.

13. Engajar-se numa atividade espiritual faz bem à saúde.

14. É mais fácil ser feliz fazendo coisas diferentes do que repetindo o mesmo de sempre.

15. O ato-reflexo diante de um sorriso espontâneo e sincero é quase infalível.

16. A satisfação que coisas materiais trazem passa muito rápido, exceto se você usá-las para fazer outra pessoa feliz.

17. A certeza de um amor incondicional é garantia de felicidade (ou ainda: quem tem mãe, tem tudo).

18. Faz muito sentido amizade rimar com felicidade.

19. Prestigiar o sucesso alheio influencia você de uma forma positiva. Sentir inveja nunca vale a pena.

20. Para ser feliz, é preciso flexibilidade.

21. É mais fácil ser feliz em dias de sol.

22. Mas quando esfria é só buscar fontes alternativas de calor.

23. Tem algo de especial em fazer coisas boas com suas próprias mãos.

24. A música certa pode modificar totalmente seu humor.

25. Arte potencializa o que há de melhor em nós.

26. Para fazer o bem aos outros, é preciso fazer antes a si mesmo.

27. Risada de bebês causa alegria instantaneamente.

28. Ver quem você ama feliz é uma das coisas mais gostosas da vida.

29. É muito bom ter para onde voltar ao final de um dia cansativo.

30. E o melhor lugar do mundo continua sendo um abraço.

31. Entrar em contato com outras culturas é sempre incrível.

32. Nunca temos tanta gente em nossa vida que não valha a pena conhecer pessoas novas.

33. Ver pessoas lutarem pelo que acreditam é inspirador.

34. Um dos melhores efeitos colaterais de fazer coisas diferentes são as pessoas conhecidas no processo.

35. A presença de alguém especial transforma um momento qualquer num evento memorável.

36. Beber sozinho é triste, beber a dois é romance, beber em três ou mais é festa.

37. Quando esquecer como se faz para ser feliz sem motivo, apenas observe um cachorro.

38. A natureza oferece espetáculos gratuitos diariamente. Não perca.

39. O mar cura muita coisa.

40. Quem tem um bom livro nunca está sozinho.

41. Alguns tipos de alegria só se experimentam ao ar livre.

42. La felicità è un gelato.

43. Todo carinho que vai, volta.

44. Alegria dividida estranhamente se multiplica.

45. Às vezes você deve apenas confiar que o dia de amanhã será melhor.

46. Viajar é preciso.

47. Solidariedade contagia.

48. Não é feio reconhecer e valorizar as próprias conquistas.

49. Também existe algo reconfortante em manter uma rotina.

50. Aprender coisas novas alimenta o cérebro.

51. Às vezes é bom contar com a sorte.

52. Não desistir já é uma vitória.

53. Bom humor é mais gostoso do que a alternativa.

54. Manter uma dieta saudável faz bem à saúde e à autoestima. Mas não subestime o poder de uma confort food.

55. Ser feliz nos dias em que tudo dá certo é moleza, mas só os fortes conseguem rir e fazer sorrir nos dias ruins.

56. Celebrar os bons momentos intensifica a alegria. Não deixe datas especiais passarem em branco.

57. Avance sempre, mas não esqueça de onde veio.

58. Pessoas infelizes tentarão arrastar você para o fundo do poço. Se não puder tirá-las de lá, não afunde junto.

59. Não é necessário ter resposta para tudo.

60. Para dor nas costas ou na alma: massagem.

61. Nunca aceite que digam que você já comemorou demais o seu aniversário esse ano.

62. Quando pensar em começar uma frase com “no meu tempo…”, lembre-se de que seu tempo é agora.

63. A falta de companhia não é desculpa para deixar de fazer algo legal.

64. Aliás, se você for realmente legal, vai adorar estar na sua própria companhia.

65. Se você alimentar preconceitos em relação a determinados lugares, estilos de música ou pessoas, vai perder muitas oportunidades de se divertir.

66. Pessoas que não fazem nada podem ficar incomodadas ao ver você fazendo coisas legais.

67. Como tudo é uma questão de prática, quanto mais você aproveita a vida, mais fácil fica aproveitá-la.

68. Falta de tempo é uma desculpa esfarrapada que usamos para não aproveitar nosso tempo com o que nos faz feliz.

69. Você nunca está velho demais para brincar.

70. Sua cidade oferece mais opções de lazer do que você imagina. É só procurar.

71. Não importa o quanto você seja sensacional, algumas pessoas simplesmente não vão com a sua cara.

72. Invista sua energia em alianças construtivas em vez de desperdiçá-la em discussões infrutíferas.

73. Mas não se isole na proteção da sua tribo. Converse com pessoas com opinião oposta à sua. Não tente persuadir ou convencer, apenas saiba ouvir e se mostrar verdadeiramente interessado.

74. Se ninguém ou poucas pessoas fizeram algo até hoje, que isso sirva de incentivo para você estar entre os pioneiros.

75. Você tem o direito de ficar triste às vezes, mas isso não significa que você deva ser uma pessoa infeliz.

76. Existem muitas coisas que você só faz quando está viajando, e elas também podem ser feitas na sua cidade.

77. A criatividade e a imaginação não são talentos exclusivos de pessoas muito especiais – são habilidades que você também pode desenvolver.

78. É impossível evitar os problemas em todos os dias da sua vida. Mas é perfeitamente viável aprender a lidar com as dificuldades sem se abalar nem perder o otimismo. Isso é resiliência.

79. É muito importante descobrir e exercitar algo em que você seja realmente bom. O senso de realização é recompensador.

80. Não importa se você ainda não encontrou o sentido da sua vida. Mas é bom que você esteja interessado em saber qual é.

81. Relacionamentos venenosos podem sugar até mesmo a energia de pessoas muito equilibradas. Procure sempre estabelecer relacionamentos positivos e saudáveis.

82. Poucas coisas causam mais satisfação que o sentimento de fazer parte de algo maior. Vale a pena se engajar em grupos a serviço de uma causa ou uma ideia em que você acredite.

83. Não é para incentivar um complexo de Pollyanna, mas é mais saudável cultivar bons sentimentos do que emoções negativas.

84. Às vezes alguém só precisa desabafar, você não precisa necessariamente dar uma solução para o problema.

85. Por mais que você possa ficar longos períodos sem ver seus amigos e a amizade permaneça a mesma, você deve fazer um esforço para vê-los com mais frequência.

86. Muitas vezes, suas atitudes terão resultados positivos absolutamente inesperados.

87. Mesmo sem ter certeza alguma de um retorno, começar algo bom ainda vale mais a pena que não fazer nada.

88. Sua coragem aumenta muito quando você tem alguém por quem faria qualquer coisa.

89. A família é muito importante. Mas em momentos difíceis, você pode descobrir que família, de verdade, não tem necessariamente o seu sobrenome nem tem laços sanguíneos com você.

90. Muitas vezes a ajuda vem de onde menos se espera.

91. Na mesma medida em que algumas pessoas irão decepcionar você, outras irão surpreendê-lo positivamente se você permitir.

92. Cada um realmente só dá o que tem para dar.

93. Estar feliz com sua vida não quer dizer que não existe mais espaço para crescer e melhorar, mas apenas que você reconhece o que já conquistou até aqui.

94. Nunca ignore pedidos silenciosos de socorro.

95. Banho serve para higiene do corpo, para refletir sobre a vida e para ter ideias brilhantes.

96. A propósito, embora no banho seja difícil, sempre que possível anote suas ideias brilhantes o quanto antes. Elas tendem a desvanecer com facilidade.

97. Em alguns momentos você terá que escolher entre privilegiar a experiência ou a memória. Nem sempre será possível viver um momento intensamente feliz e ainda fotografá-lo para a posteridade.

98. Mas quando o registro não atrapalhar a experiência, faça-o. Cada vez menos você poderá confiar na sua própria memória.

99. É uma delícia concluir com sucesso um desafio a que você se propôs.

100. O amor sempre será a maior fonte de felicidade. ♥

Indígena do Alto Xingu defende dissertação de mestrado


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Makaulaka Mehináku Awetí tem 34 anos e seu povo Mehináku vive no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso. Em maio desse ano, Mekalauka defendeu sua tese de mestrado na UnB (Universidade de Brasília), sobre a estrutura linguística do idioma que leva o mesmo nome de sua etnia. Seu trabalho aprofunda a descrição gramatical da língua, que também está presente na região Norte do Brasil e em países como Bolívia, Peru e Venezuela.

O interesse de  Makaulaka pela escrita do “povo branco” começou na adolescência, quando teve contato com outros índios que sabiam ler e escrever em português. Na falta de lápis e papel, “recolhia pilhas velhas, tirava-lhes o toco preto e ia apontando para colocar na ponta de um pauzinho para ficar igual a um lápis”, ele conta. Usava esse instrumento para reproduzir em madeira as palavras que encontrava em embalagens usadas.

Aos 15 anos, soube de um curso de português que iria acontecer em um povoado. Como estava em período de reclusão, prática recorrente entre indígenas na adolescência, o pai o proibiu de ir à escola. Makaulaka decidiu então fugir da aldeia para perseguir seu sonho. Depois do curso, retornou ao convívio da família. Com a anuência dos pais, passou a frequentar a escola e ingressou na graduação em Ciências Sociais na Universidade Estadual do Mato Grosso.

“Lembrar essa história é viajar no tempo, recordar todo sofrimento, hoje superado, a humilhação que me fez aprender a ser humilde e respeitar os outros; aprender a lidar com atitudes ruins com bons argumentos. É o que me deu mais motivo de seguir em frente sempre com inteligência para não agredir as pessoas com minhas palavras grosseiras”, escreve Makaulaka na introdução do trabalho.

“Pensei em voltar para minha vida de tempos atrás, de viver a vida inteiramente de meu povo, viver isolado do mundo branco, mas não será mais possível, não posso desperdiçar tudo que conquistei na vida, apoio, confiança e respeito, que significa o reconhecimento por parte daqueles que conhecem quem sou eu”, completa Makaulaka, hoje professor em sua aldeia no Alto Xingu.

No dia de defender sua pesquisa, Makaulaka acordou antes das 6 da manhã. Ao lado da mulher e dos filhos, pintou o corpo de urucum e jenipapo, colocou os ornamentos usados em celebrações especiais indígenas e se dirigiu à UnB para concluir uma das etapas mais importantes da sua vida.

A conquista de Makaulaka vai além do benefício (possibilitado pelo sistema de cotas) de promover a diversidade no curso superior – é também um avanço histórico. “As línguas indígenas, de modo geral, estão sob análise dos linguistas não indígenas. Ser pesquisador da minha língua coloca o índio como protagonista de sua história”, define o agora mestre.

Na opinião da orientadora do projeto de Makaulaka e representante do Laboratório de Línguas e Literaturas Indígenas (Lali/IL) da UnB, Ana Suelly Arruda Câmara Cabral, a importância de aproximar os indígenas da universidade supera o rico intercâmbio de culturas e de pontos de vista. “Eles se encantam ao entender com o olhar de linguista, as estruturas de sua língua e as funções que cada elemento que a constitui tem ao expressar sentimentos, emoções, pensamento e cultura de um modo em geral”, explica.

Fundado em 1999, o Lali esperou 10 anos até a primeira defesa de dissertação de mestrado de um indígena. Em 2009, Edílson Baniwa defendeu projeto sobre o idioma nhegatu, do povo baniwa, que vive no Alto Solimões, no Amazonas. Desde então, há uma seleção especial, na qual os índios não precisam fazer provas de inglês, pois o português já é a segunda língua deles.

Fontes:

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=8600

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2014/06/04/interna_cidadesdf,430797/indio-supera-adversidades-e-preconceitos-e-conclui-mestrado-na-unb.shtml

Se alguém conseguiu fazer, eu também posso.

Se a segunda-feira é sempre um suplício pra você, está na hora de fazer alguma coisa além de reclamar. Se inspiração é o que falta, trago hoje o exemplo de um menino malauí que contornou a falta de recursos e, contra todas as probabilidades, salvou sua família de um destino infeliz. 6a00df3521152d88340120a5a3b4aa970b-500wi William Kamkwamba nasceu em uma família de camponeses no Malawi. O país situa-se entre os mais pobres do mundo. Aos 14 anos de idade, William viu a Vila de Wimbe, onde mora, passar por uma grande seca, causando enormes prejuízos aos lavradores e trazendo fome a todo o país. William, seus pais e suas seis irmãs faziam apenas uma refeição diária, antes de dormir. Cavavam o solo para achar raízes e cascas de banana para forrar o estômago. Desmaiavam com frequência. Muitos moradores da região morreram de inanição.

A escola de William cobrava uma taxa anual de 80 dólares que, evidentemente, seu pai não conseguiu pagar naquele ano. O menino passou a frequentar a biblioteca da escola, com o objetivo de estudar por conta própria para manter-se no mesmo nível dos amigos que continuaram na escola. Eram apenas três estantes de livros doados pelos EUA, Reino Unido, Zâmbia e Zimbábue. “Comecei a ler livros de ciência, e isso mudou minha vida”, disse William. Ele não sabia quase nada de inglês, e usava as figuras e diagramas nos livros de física para interpretar as palavras ao redor.

O livro “Explaining Physics” ensinou a William o funcionamento de motores e geradores. Outro livro, chamado “Using energy”, tinha a foto de um moinho de vento na capa, e explicava que moinhos podem bombear água e gerar eletricidade. William concluiu que seu pai poderia irrigar a plantação, aumentar a colheita e eles nunca mais passariam fome. Foi assim que ele decidiu construir um moinho. Não havia instruções, mas William sabia que se um homem havia construído no livro, ele também conseguiria.

Foi num ferro-velho que William buscou os materiais para construir sua máquina. As pessoas riam dele quando passava carregando sucata. Diziam que estava louco ou usando drogas. Com um quadro de bicicleta, canos de PVC, roldanas, um ventilador de trator, amortecedor e outras peças enferrujadas, construiu seu primeiro moinho, capaz de gerar 12 watts de eletricidade – suficiente para acender uma única lâmpada.

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Mais tarde, um primo de William encontrou uma bateria de carro na beira da estrada. Deram uma carga nela e conseguiram energia para ligar quatro lâmpadas e dois rádios em sua casa. As pessoas da vizinhança faziam fila para carregar seus telefones celulares na casa de William. Os aparelhos são baratos e populares na África, mas há muitos lugares aos quais a eletricidade não chega. Algumas lojas cobram das pessoas para carregarem seus celulares, e o moinho de William fornecia energia gratuita.

A história de sucesso se popularizou ao ponto de William ser convidado a uma conferência do TED (Technology, Entertainment, Design), uma organização sem fins lucrativos que promove conferências anuais para divulgar boas ideias. O jovem, então com 19 anos, nunca havia saído de sua pequena vila, nunca havia usado um computador nem conhecia a internet. Falou com simplicidade diante de uma plateia encantada. Algumas pessoas o ajudaram a seguir com seus estudos: primeiro ele frequentou um colégio cristão na capital do Malawi, e depois foi admitido na African Leadership Academy, em Johannesburgo (África do Sul), uma escola que pretende treinar a próxima geração de líderes do continente. Há 200 estudantes de 42 países diferentes da África.

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William pretende fazer faculdade, talvez nos EUA, e voltar ao Malawi para encontrar maneiras de produzir energia barata e renovável nas vilas. Seus planos incluem a construção de bombas d’água de baixo custo e que possam ser operadas facilmente, além de colocar um moinho de vento em cada cidade do Malawi. “Em vez de esperar o governo levar eletricidade até as vilas por linhas de força, vamos construir moinhos de vento e gerá-la nós mesmos”, diz William. Dois anos depois de sua primeira apresentação, William voltou ao palco do TED para contar mais sobre sua trajetória e sobre seu invento. Ao final da palestra, ele deixou uma mensagem: “Eu gostaria de dizer uma coisa para todas as pessoas por aí afora, como eu, para os africanos e para os pobres que estão lutando pelos seus sonhos: confie em você e acredite. Não importa o que aconteça, não desista.”

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O que inspirou William a fazer algo diferente foi vislumbrar o futuro que lhe estava reservado se ele apenas se resignasse. Segundo ele, parar de estudar significava que ele seria camponês, e os camponeses não têm controle sobre a própria vida. Dependem do sol, da chuva, do preço das sementes e fertilizantes. Quando teve que abandonar a escola, William olhou para seu pai, para os campos ressecados e viu o resto de sua vida. Ele decidiu não aceitar aquele futuro, e tratou de fazer um melhor.

Veja a seguir a apresentação mais recente de William no TED. Eu vi essa manhã, e ela me encheu de esperança. Na sequência, veja também o vídeo da primeira palestra de William, dois anos antes.

 

 

Conheça ainda:

blog de William, onde você encontra, dentre outras coisas, um documentário contando a história dele.

O flickr de William, de onde vieram quase todas imagens que ilustram esse post (outras vieram do Google imagens).