TED do dia: o homem que revolucionou o absorvente na Índia

Arunachalam Muruganantham, o homem que revolucionou o absorvente higiênico na Índia
Arunachalam Muruganantham, o homem que revolucionou o absorvente higiênico na Índia

Tenho convivido por toda minha vida com mulheres cultas, educadas, com boa situação financeira, independentes e cheias de opinião. E mesmo entre mulheres assim, menstruação é um tema tabu. Já vi muitas amigas torcerem o nariz para a mera menção do assunto. A maior parte tem asco até de admitir que passa todos os meses por esse processo absolutamente natural.

Imagine então como é na Índia, e pior, na zona rural indiana. Lá, a menstruação não é apenas assunto proibido, é motivo para que as meninas faltem às aulas e provas, e mulheres deixem de trabalhar durante o período menstrual. Naturalmente, isso gera um impacto terrível na vida dessas meninas e mulheres, inclusive em seu orçamento familiar. Há também o aspecto cultural: enquanto estão menstruadas, as mulheres não podem frequentar o templo ou preparar comida.

Segundo o The Times of India, apenas 12% das 355 milhões de mulheres que menstruam usam absorventes higiênicos. As demais utilizam trapos, folhas, cascas, serragem, qualquer coisa no lugar do absorvente higiênico, cujo preço é alto demais para permitir esse “luxo”.

Ao se deparar com essa realidade, surpreendentemente foi um homem que resolveu dedicar anos de sua vida (quinze, para ser mais exata) para desenvolver uma alternativa que atendesse às mulheres pobres da Índia. De acordo com Arunachalam Muruganantham, “as mulheres que usam panos com frequência têm vergonha de deixar que sequem ao sol. Com isso, os panos não são desinfetados. Aproximadamente 70% das doenças reprodutivas na Índia são causadas por falta de higiene menstrual. Isso também pode afetar a mortalidade materna.”

Veja o vídeo (legendas em português disponíveis) para se encantar com a história e conhecer todas as dificuldades e situações inusitadas que Muruga (como ele próprio se chama) precisou enfrentar em sua jornada, incluindo o preconceito e o abandono familiar. E tudo isso sem nenhuma motivação financeira! Perguntado sobre seus motivos, ele explica: “Fui criado por mãe solteira. Eu vi como minha mãe lutou para me criar, então eu quis fazer isto para ajudar outras mulheres a ganhar a vida para sustentar suas famílias. Se você empodera uma mãe, empodera um país.”

Com vocês, Arunachalam Muruganantham!

Leia mais aqui.

Anúncios

12 razões para amar TEDTalks

ted

Mesmo que nunca tenha me visto na vida, se for um observador atento, talvez você já tenha reparado que sou uma grande entusiasta do TEDTalks. As coisas que aprendo lá muitas vezes me servem de referência.

Como já contei antes, TED  é o acrônimo para Technology, Entertainment, Design (em português, Tecnologia, Entretenimento, Design). É uma fundação estadunidense sem fins lucrativos, que organiza conferências destinadas à disseminação de boas ideias. Os vídeos variam entre 3 e 20 minutos, mais ou menos, e o acesso a eles é gratuito pela internet. Diversos vídeos possuem legendas em português e outras línguas. E vários estão disponíveis no Netflix para quem é assinante.

O conteúdo, que inicialmente tinha maior ênfase em tecnologia e design, hoje cobre temas que abrangem praticamente todos os aspectos de ciência e cultura. Entre os conferencistas, estão diversos ganhadores do Prêmio Nobel, personalidades como Sheryl Sandberg (a chefe operacional do Facebook desde 2008), Isabel Allende (jornalista e escritora chilena), Madeleine Albright (primeira mulher a ocupar o cargo de Secretária de Estado dos Estados Unidos), Bill Clinton (ex-presidente dos Estados Unidos), Sting (músico, cantor e ator inglês), os fundadores do Google, muitos outros famosos e também gente incrível de quem você nunca ouviu falar.

Eu sei que você não me pediu nenhum conselho, mas se eu puder dar uma dica que pode mudar sua rotina para melhor, é essa: vicie em TEDTalks você também. Já faz tempo que assisto a no mínimo um vídeo por dia. Como são curtinhos, vejo um ou dois enquanto tomo meu café da manhã e me arrumo para trabalhar. À noite, muitas vezes vejo mais. Ainda tem dias em que não resisto e assisto a mais um ou outro na hora do almoço.

Já vi mais de uma centena de vídeos. E dá para contar nos dedos os que não valeram a pena. Então, se você já não é um “TED-maníaco”, dê-se essa oportunidade. Há quem aponte defeitos diversos no TEDTalks, mas é evidente que, quanto maior o sucesso e a popularidade de uma realização, mais ela se tornará alvo de críticos que não pretendem fazer melhor.

Vão aí doze motivos para amar TEDTalks:

1. É estimulante. Tanto quanto uma boa conversa com um amigo muito inteligente.

2. Coloca seu cérebro para trabalhar. Faz você pensar mais sobre novos jeitos de ver e fazer as coisas.

3. Faz você parecer (e ser) inteligente. Rende assunto para conversar de verdade com seus amigos inteligentes.

4. Coloca você em contato com grandes mentes. Dúzias de pessoas incrivelmente talentosas, atuantes nas mais diversas áreas, viajam de diversas partes do mundo às conferências de TED para falar sobre o trabalho delas, e você pode conhecer isso tudo.

5. É de graça. Custa uma pequena fortuna participar presencialmente de uma conferência de TEDTalks. Em outubro desse ano, haverá uma no Rio de Janeiro, e a inscrição custa US$ 6,000 (seis mil dólares americanos). Mas você pode ver TODOS os vídeos de graça, em alta resolução, na sua casa.

6. O conteúdo é simplificado. Alguns críticos de TED acreditam que as palestras simplificam demais assuntos complexos. E isso não é incrível? Se você quiser, em poucos minutos pode aprender mais do que jamais saberia sobre conexões neurais, por exemplo, graças a um profissional obcecado pelo assunto, que dedicou a vida toda a estudar isso. É evidente que seu conhecimento será infinitamente menor que o dele, mas será muito maior que era antes de ver a palestra. E pode ainda despertar seu interesse por algo inédito.

7. Aprenda com quem tem o conhecimento prático. Os palestrantes de TED são, em geral, praticantes do que ensinam. Não dão aulas abstratas, mas sim contextualizadas em suas histórias e experiências. Na maior parte das vezes, eles não ensinam, eles fazem. Você pode aprender sobre depressão e autismo, por exemplo, não só com psicólogos e psiquiatras, mas com pessoas diagnosticadas com depressão e autismo!

8. É rápido. Como já disse, há vídeos de apenas 3 minutos.Os mais longos que já vi tinham em torno de 23. Ou seja, falta de tempo não é desculpa para não aprender.

9. É prático. Você só precisa ter conexão à internet para acessar onde e quando quiser.

10. Você decide o que quer aprender. O formato dos vídeos – curtos, simples e diretos – permite que você mesmo direcione seu aprendizado, escolhendo qual palestra quer ver e quando. É mais fácil absorber o conhecimento quando você decide o momento de colocá-lo em prática.

11. Abre sua mente. Ao ver gente incrível sustentando opiniões totalmente diferentes da sua, há chances de você mudar de ideia (por que não?) ou pelo menos respeitar e até defender quem pensa de outro jeito.

12. Incentiva você a perseguir seus sonhos. Ver histórias de pessoas que não desistem diante de obstáculos, lutando até atingir seus objetivos, é inspirador.

E você, já viu seu TEDTalk de hoje? Vai lá:

Site oficial: http://www.ted.com/

Canal no Youtube: http://www.youtube.com/user/TEDtalksDirector

Canal no Youtube de vídeos em português: http://www.youtube.com/user/TedTalksPortugues

Se alguém conseguiu fazer, eu também posso.

Se a segunda-feira é sempre um suplício pra você, está na hora de fazer alguma coisa além de reclamar. Se inspiração é o que falta, trago hoje o exemplo de um menino malauí que contornou a falta de recursos e, contra todas as probabilidades, salvou sua família de um destino infeliz. 6a00df3521152d88340120a5a3b4aa970b-500wi William Kamkwamba nasceu em uma família de camponeses no Malawi. O país situa-se entre os mais pobres do mundo. Aos 14 anos de idade, William viu a Vila de Wimbe, onde mora, passar por uma grande seca, causando enormes prejuízos aos lavradores e trazendo fome a todo o país. William, seus pais e suas seis irmãs faziam apenas uma refeição diária, antes de dormir. Cavavam o solo para achar raízes e cascas de banana para forrar o estômago. Desmaiavam com frequência. Muitos moradores da região morreram de inanição.

A escola de William cobrava uma taxa anual de 80 dólares que, evidentemente, seu pai não conseguiu pagar naquele ano. O menino passou a frequentar a biblioteca da escola, com o objetivo de estudar por conta própria para manter-se no mesmo nível dos amigos que continuaram na escola. Eram apenas três estantes de livros doados pelos EUA, Reino Unido, Zâmbia e Zimbábue. “Comecei a ler livros de ciência, e isso mudou minha vida”, disse William. Ele não sabia quase nada de inglês, e usava as figuras e diagramas nos livros de física para interpretar as palavras ao redor.

O livro “Explaining Physics” ensinou a William o funcionamento de motores e geradores. Outro livro, chamado “Using energy”, tinha a foto de um moinho de vento na capa, e explicava que moinhos podem bombear água e gerar eletricidade. William concluiu que seu pai poderia irrigar a plantação, aumentar a colheita e eles nunca mais passariam fome. Foi assim que ele decidiu construir um moinho. Não havia instruções, mas William sabia que se um homem havia construído no livro, ele também conseguiria.

Foi num ferro-velho que William buscou os materiais para construir sua máquina. As pessoas riam dele quando passava carregando sucata. Diziam que estava louco ou usando drogas. Com um quadro de bicicleta, canos de PVC, roldanas, um ventilador de trator, amortecedor e outras peças enferrujadas, construiu seu primeiro moinho, capaz de gerar 12 watts de eletricidade – suficiente para acender uma única lâmpada.

6a00df3521152d88340120a5fa5e74970c-500wi616228136_50249f64d8_o

Mais tarde, um primo de William encontrou uma bateria de carro na beira da estrada. Deram uma carga nela e conseguiram energia para ligar quatro lâmpadas e dois rádios em sua casa. As pessoas da vizinhança faziam fila para carregar seus telefones celulares na casa de William. Os aparelhos são baratos e populares na África, mas há muitos lugares aos quais a eletricidade não chega. Algumas lojas cobram das pessoas para carregarem seus celulares, e o moinho de William fornecia energia gratuita.

A história de sucesso se popularizou ao ponto de William ser convidado a uma conferência do TED (Technology, Entertainment, Design), uma organização sem fins lucrativos que promove conferências anuais para divulgar boas ideias. O jovem, então com 19 anos, nunca havia saído de sua pequena vila, nunca havia usado um computador nem conhecia a internet. Falou com simplicidade diante de uma plateia encantada. Algumas pessoas o ajudaram a seguir com seus estudos: primeiro ele frequentou um colégio cristão na capital do Malawi, e depois foi admitido na African Leadership Academy, em Johannesburgo (África do Sul), uma escola que pretende treinar a próxima geração de líderes do continente. Há 200 estudantes de 42 países diferentes da África.

3749058540_b858aa867a

William pretende fazer faculdade, talvez nos EUA, e voltar ao Malawi para encontrar maneiras de produzir energia barata e renovável nas vilas. Seus planos incluem a construção de bombas d’água de baixo custo e que possam ser operadas facilmente, além de colocar um moinho de vento em cada cidade do Malawi. “Em vez de esperar o governo levar eletricidade até as vilas por linhas de força, vamos construir moinhos de vento e gerá-la nós mesmos”, diz William. Dois anos depois de sua primeira apresentação, William voltou ao palco do TED para contar mais sobre sua trajetória e sobre seu invento. Ao final da palestra, ele deixou uma mensagem: “Eu gostaria de dizer uma coisa para todas as pessoas por aí afora, como eu, para os africanos e para os pobres que estão lutando pelos seus sonhos: confie em você e acredite. Não importa o que aconteça, não desista.”

William_Kamkwambas_old_windmill

O que inspirou William a fazer algo diferente foi vislumbrar o futuro que lhe estava reservado se ele apenas se resignasse. Segundo ele, parar de estudar significava que ele seria camponês, e os camponeses não têm controle sobre a própria vida. Dependem do sol, da chuva, do preço das sementes e fertilizantes. Quando teve que abandonar a escola, William olhou para seu pai, para os campos ressecados e viu o resto de sua vida. Ele decidiu não aceitar aquele futuro, e tratou de fazer um melhor.

Veja a seguir a apresentação mais recente de William no TED. Eu vi essa manhã, e ela me encheu de esperança. Na sequência, veja também o vídeo da primeira palestra de William, dois anos antes.

 

 

Conheça ainda:

blog de William, onde você encontra, dentre outras coisas, um documentário contando a história dele.

O flickr de William, de onde vieram quase todas imagens que ilustram esse post (outras vieram do Google imagens).

Vai uma surpresinha aí?

Para ouvir enquanto lê o texto:

Outro dia vi o TED Talk de Tony Robbins, escritor e palestrante motivacional estadunidense – é possível que você o conheça do filme “O Amor é Cego”, no qual ele interpreta a si próprio e hipnotiza o personagem principal, fazendo com que ele enxergue apenas a beleza interior das pessoas. No TED, Robbins pergunta à plateia quem gosta de surpresas. Muitas pessoas erguem a mão. Robbins responde que é mentira: gostamos das surpresas que queremos. Às demais, chamamos de problemas.

É interessante o quanto nos incomodamos com acontecimentos inesperados em nossa vida. Não são raras as pessoas que se deixam abater profundamente por surpresas desagradáveis. É como se desejássemos que nossas vidas pudessem ser representadas, num gráfico, por uma simples linha reta. De preferência, ascendente, é claro.

Imagine, porém, que você está pensando em ir ao cinema nesse final de semana. Você abre um site e lê as sinopses dos dois filmes em cartaz. Uma delas diz: “jovem mulher se casa com o namoradinho de infância. O casal financia uma casa e tem dois filhos. Ambos têm empregos de que não gostam muito, mas acreditam que a vida poderia ser pior. Aos domingos, vão à missa”. A segunda é assim: “depois de deixar para trás a família, os amigos e a cidade em que cresceu em busca do sonho de ser atriz, o único emprego que Fulana consegue na cidade grande é como garçonete. Certo dia, um acontecimento inesperado a leva a conhecer Sicrano e, mesmo contra sua vontade, ela é obrigada a ajudá-lo a decifrar um enigma. A inusitada amizade acaba dando um novo sentido para a existência dos dois”. 

Qual história parece mais interessante? Mesmo que você prefira filmes cuja sinopse se resuma aos termos “mulheres lindas”, “perseguições” e “explosões”, aposto que concorda que o segundo enredo desperta um pouco mais de curiosidade que o primeiro. As histórias mais interessantes, divertidas, tocantes ou edificantes contam com a superação de algum empecilho.

Quantos personagens de longas animados da Disney ou da Pixar tiveram que enfrentar a tristeza da morte de um dos pais, geralmente acompanhada de um grande sentimento de culpa? Qual a comédia romântica que funciona sem que no meio da história o casal se separe, para depois perceber que nasceram um para o outro? Sem reviravoltas, não existiriam filmes de suspense, terror, policiais, romances…

E é claro que não é só na ficção que isso acontece. A verdade é que todo mundo já se deparou com uma situação difícil e/ou inesperada. A morte de um ente querido; uma gestação não planejada; o abandono físico ou emocional de um pai ou uma mãe; o recomeço depois de uma demissão ou de um divórcio; uma violência ou injustiça; a mudança de escola, cidade ou país e as dificuldades de adaptação ao novo ambiente; uma doença; o processo de se livrar de um vício; uma desilusão amorosa. Mesmo as pessoas que aparentemente nunca sofreram também guardam esqueletos no armário.

Não estou sugerindo que você persiga tragédias para se tornar uma pessoa mais interessante. Estou apenas dizendo que os percalços são parte da vida e é assim que devemos encará-los. Os problemas são solucionados com mais facilidade quando não nos apequenamos diante deles. E por mais que pareça, quando estamos sofrendo, que a dor será eterna, todos já sabemos por experiências pretéritas que é verdade o que nossas mães sempre disseram: vai passar.

No fim das contas, o que nos define é a maneira com que reagimos às surpresas que não queremos. Porque ser feliz nos dias em que tudo dá certo é muito fácil. O desafio é encontrar alegria e valorizar as coisas boas quando tudo parece conspirar contra.

 

Imagem original de www.thedoghouse.com
Imagem original de http://www.thedoghouse.com