Trinta e três 

466846154Trinta e três anos. Que idade é essa? Será mística, crística ou crítica? É tempo de morrer o velho eu e deixar nascer algo novo.

Não há de ser ainda metade da minha existência – talvez um terço, talvez até menos, confiante que sou nessa longuíssima linha da vida que atravessa minha mão. De qualquer forma, já não sinto, como outrora, que tenho todo o tempo do mundo pela frente. Apesar de minha crença na imortalidade do espírito, discretos sinais no espelho insistem em me fazer lembrar que o tempo está passando. Inexorável e fora do meu controle.

O mundo me cobra maturidade e o exercício pleno de minhas capacidades. Que eu saiba administrar minha vida, que eu produza, que seja útil. Não são raros os dias em que sinto que deixo a desejar nesse aspecto. Qual é minha função? Qual será minha missão? Acreditar que existe um propósito para minha existência será mera pretensão?

Parece que, aqui, nesse ponto da vida, eu já deveria ter algumas respostas. E não é que eu não tenha. Mas surgiram tantas outras perguntas.

Colho hoje os resultados de muitas escolhas. Alguns são tão felizes que, se tivesse a oportunidade de voltar no tempo, faria exatamente do mesmo jeito. Outros já não me agradam e me pergunto constantemente: por que é que me obrigo a continuar convivendo com coisas que não me trazem felicidade? Que estranho apego é esse a situações indesejadas? Essa está na lista das coisas que não entendo ainda.

Sinto hoje, mais do que nunca, a importância das conexões humanas. Urge em meu peito uma vontade sincera de unir pessoas. E é aí que, de vez em quando, sem estar procurando, por ventura me encontro. Descubro que, mesmo sem querer, minhas palavras e atitudes têm o poder de agregar. Que minha influência é positiva, que inspiro coisas boas.

Todo mundo tem seu próprio critério medidor de sucesso. Para algumas pessoas é o destaque no meio acadêmico. Para outras, são bens materiais. Para outras, a quantidade de carimbos no passaporte. Há quem meça pelo prestígio profissional. O meu critério são as pessoas na minha vida. Olho para os amigos que tenho, para o meu companheiro, melhor amigo e marido, para os familiares que são amigos e penso: que sucesso! Não pela quantidade, claro, mas pela qualidade. Quanta gente incrível faz parte da minha história!

Ao contrário de carros na garagem, que a cada ano são superados por modelos mais modernos, as pessoas evoluem. Ficam cada vez melhores. E pessoa nenhuma me pertence, como eu não pertenço a ninguém, então o fato de continuarem na minha vida é um forte indício de que eu estou evoluindo também. Caminhemos juntos! Preciso de toda essa gente boa comigo para colocar em prática a modesta ambição de mudar o mundo.

A união é o que mais me entusiasma. Estamos condicionados a ver o que é mau, porque tragédias vendem jornais. Mas quando entramos em comunhão com o universo, quando ousamos nos aproximar do humano, somos capazes de enxergar o bem. E descobrimos, com estranheza, que ele ainda prepondera.

Trinta e três anos. Já aprendi algumas coisas. Especialmente, que só o infinito será suficiente para tudo que ainda falta aprender. Sei respeitar minha natureza e sei quando devo desafiar meus limites. Confio em mim mesma e amo esse jeito que é só meu. Minha maior especialidade é ser eu mesma, mas não sei ser sempre a mesma. A cada dia me reinvento. A mudança não me assusta, nem tampouco a permanência. Sou feita de coragem, de amor e de esperança.

Que venha a nova idade. A vida me tem sido uma grande amiga, e espero poder retribuir. Metade do meu coração é gratidão pelo que vivi, e a outra metade é expectativa pelo que virá. Que o Sol seja bem-vindo ao início de um novo  e próspero ciclo.

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Não deixe para depois

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Mais uma semana se passou. O que você fez?

Não me fale de números, relatórios, processos. O que você conquistou?

Sim, eu sei que você trabalhou, ou ao menos foi ao trabalho. Eu sei que o piloto automático esteve ativo. O que você ganhou?

Não, não quero saber de dinheiro. Falo de vida.

Quem você amou? Quem você fez sorrir? Ao se olhar no espelho, o que viu além de cansaço? Quanto tempo dedicou ao que faz você feliz? O que você aprendeu? Quantas vezes riu até perder o fôlego?

Quanto cresceu nessa semana o seu patrimônio imaterial? Das coisas que aconteceram nos últimos dias, quantas você vai querer contar aos seus netos? Quantas terá esquecido até a próxima segunda-feira?

Se você passou 5 dias esperando ansiosamente pelo final de semana, o que fará com ele agora que ele chegou?

Descansar é ótimo e necessário. Mas não adie o melhor da vida. Segundas-feiras são inexoráveis. Elas chegam mesmo que você, por distração, tenha deixado o sábado passar sem ser notado. E que, por preguiça, tenha dormido o domingo inteiro.

Coloque em prática aquele projeto para sua casa. Visite quem faz falta. Escreva uma carta. Faça um piquenique, ande de patins. Role no tapete com seus sobrinhos, abrace sua avó. Faça um bolo, empine pipa, corra com seu cachorro. Faça uma pequena viagem. Faça turismo na sua própria cidade. Encare um desafio. Vença uma aposta, mesmo que consigo mesmo. Faça uma surpresa romântica. Experimente um restaurante novo. Leia um livro, mas não no canto de sempre na sua casa: pode ser no parque, na praça, num café, numa livraria. Mude o cenário. Conheça gente nova. Veja um espetáculo de música, dança ou teatro. Ou todos. Vá ao museu.

O problema das coisas que podem ser deixadas para amanhã é que elas podem ser deixadas para semana que vem e assim por diante. Não deixe para depois. O depois pode simplesmente não chegar.

Mais uma semana se passou. O que você fez? E o mais importante: o que vai fazer?